Encontro-me de momento a começar o meu segundo semestre de enfermagem numa universidade que me mantêm afastada de casa 5 dias por semana. Comecei mesmo ainda hoje e a vontade de ter de começar a estudar e voltar ao ritmo de estudante é inexistente.
Pensei que assim que estivesse sossegada e sobrecarregada com coisas que isso me levasse a esforçar e a esquecer o resto mas enganei-me...
Eu sempre fui habituada a estar sozinha, gosto de estar sozinha. A primeira coisa que desejei quando vinha no caminho de regresso para cá foi que a casa estivesse vazia, porque não me apetecia mesmo nada ter de lidar com as minhas colegas de casa- A cena é que elas são simpáticas e tal, falamos de vez em quando mas não é caso pra dizer que somos amigas, até me sinto bastante excluída a maior parte do tempo porque apesar de sermos 7, um nº bem grande, eu não encontro nada em comum que me faça estabelecer uma amizade com elas, ainda só as conheço há coisa de 6 meses mas ainda assim...nunca tive muitos amigos mas não me recordo de ser assim tão difícil...Tenho a sensação de que sou eu, às vezes, que me tornei mais crítica e que afasto as pessoas, mas na verdade sou bastante acessível, mesmo num dia mau se alguém se dirigir a mim não tenho confianças suficientes pra lhes fazer má cara, no entanto tanto os meus colegas de turma como as de casa parecem estar num grupo à parte em que não me integro. E eu nem quero isso, o que eu queria era poder partilhar o facto de estar aqui com quem realmente gosto mas todos os meus amigos estão ainda no secundário e a minha família não ia mudar-se para esta cidade só porque eu cá estou a estudar. Pelo que ya...estou bastante sozinha e se isso me está a afetar agora então não sei como vou aguentar 4 anos assim... Sinto-me uma fraca. Se ouvisse alguém a dizer que não se sentia capaz de terminar o curso porque se sentia sozinho seria isso que pensaria, que era fraco. Mas será possível não partilhar nada em comum com ninguém? Será mesmo este o meu lugar? Eu sei lá...será que vai ser sempre assim, vou trabalhar para um hospital e não vou ter ninguém com quem falar? É uma merda... E não há quem entenda... Tenho a certeza de que muita gente que deixei para trás na minha cidade pensa que estou aqui na loucura, na vida de festa que é a universidade, a sair todas as noites, a conviver... Já tentei explicar que não é nada disso, mas quanto mais nego mais as pessoas creem nisso. E eu nem sou pessoa de sair, ou de conviver quando não conheço bem as pessoas ou a cidade, então isso ainda me afasta mais do resto das pessoas daqui. Nem sequer consigo fingir que está tudo bem enfiando-me na cama a ver séries porque assim sentiria-me culpada então basicamente após um dia de aulas e a almoçar/jantar sozinha ponho-me a estudar junto a um aquecedor (que imagem mais deprimente) cheia de vontade de falar com alguém. Mas não há com quem falar...
No início até pensei ter feito o que poderia ser o início de uma amizade mas as raparigas envolvidas acabaram por se revelar umas manientas....praticamente é isso que constitui a minha turma: manientas, falsinhas e convencidos. Não estou a dizer que eu seja muito melhor mas não consigo lidar com pessoas assim. Tenho tantas saudades do secundário...de ter com quem estar nos intervalos, com quem falar nas aulas, ter uma casa onde regressar, ter a minha família...Estou bastante farta disto...E pelo que dizem a pressão e exigência só vai aumentar...Eu quero aguentar...quero ultrapassar isto, quero ser capaz...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
sábado, 4 de outubro de 2014
Suffering from one Social Construction
De tantas pessoas foi ela que me veio à cabeça quando tentei lembrar-me de alguém que eu soubesse que podia compreender o que eu estava a passar. Na altura em que a mãe dela a deixou, sozinha e desamparada para se desembaraçar sozinha como uma "adulta", para ir para outro país qualquer um poderia associar esse facto a sorte, liberdade e uma oportunidade para viver como ela bem quisesse. No entanto não era assim que ela pensava, nem de perto. Podia ser isso que ela deixava transparecer e se lhe perguntassem ela de certo concordaria. Agora tem piada, lembro-me de como ela estava, dizendo uma coisa mas o rosto dizendo outra, e de eu ter pena pensando que ela estava pior que eu, que a única pessoa que ela realmente tinha do lado dela era a mãe e que agora nem isso tinha. Mas eu nunca tive mais que isso. Dou-me agora conta que por muito que eu quisesse estar em paz, e me sentisse realmente sozinha mesmo quando estava em casa eu nem sabia o que era isso até agora. Fogo...e ainda só se passaram três semanas, ainda nem tive testes nem houve nada de muito "espetacular" a acontecer, o que por um lado faz parecer que eu estou a exagerar. Mas pelo outro só penso que ir para a universidade não é sinónimo de independência, quer dizer, obviamente temos de tê-la, tal como sempre, talvez até ainda mais mas há pessoas que vão para casa e voltam todos os dias e outras que nem mudam nada os seus hábitos de vida já que a casa é logo ao virar da esquina. Logo...quando é a altura certa para deixar a nossa casa? Eu nunca me senti muito ligada a estas quatro paredes, sempre achei que se um dia fosse sentir-me saudosa seria do sítio onde fui mais feliz, mas não há como alterar o facto de que parte do que sou foi aqui que aconteceu, é aqui que estão todos os que conheço e por muito que às vezes os odeie e não queira nada com eles sinto a sua falta... São tudo o que eu conheço... Talvez isso só faça parte do processo de me habituar... Muito provavelmente nem são sentimentos verdadeiros, não é amor ou amizade que está a guiar os meus medos mas é apenas um medo em concreto...o de não ser capaz de continuar em frente sozinha. Muitas vezes disse que não precisava das pessoas, só essa ideia me dava logo raiva, não queria nunca precisar... Com o tempo vim a controlar as coisas de modo a fazer com que as pessoas precisassem de mim, e consegui. De facto o impacto inicial foi logo o de choros e depressões quando me fui. Mas é como quando alguém morre, aprendemos a lidar com isso e muito lentamente conseguimos tornar essa pessoa numa memória menos dolorosa. Um dia serei capaz de fazer isso...mas até lá estou assim. A ser esquecida. A ser tornada numa memória. Olho para a minha irmã e vejo que as suas perninhas sempre tão escanzeladas e fininhas que nem as de um alicate agora já se começam a tornar nas que um dia vão ser as pernas de uma adolescente com curvas, que o seu comportamento vai-se modificando, vai-se tornando mais calma, mais crescida. As pessoas mudam. As pessoas crescem. Eu nunca pedi isso. Nunca tive escolha. Ninguém tem. Mas eu não vou estar sempre aqui para vê-la. De cada vez que aparecer ela estará diferente, e é assim que deve ser. Mas também me pergunto porque é que esta ideia me custa tanto. Será por ela ser minha irmã? Por ser a menina chata que tenho vindo a acompanhar desde que nasceu. Por ser a minha menina pequenina... Por ela um dia vir a ser uma menina maior como eu que não vai compreender que a amo muito apesar de às vezes não a suportar... Oh meu deus quando é que isto volta a ser fácil? Talvez nunca... Eu só queria poder voltar àquele estado de total ignorância em que a minha felicidade se baseava em brincar...contentava-me com tudo porque pura e simplesmente não entendia...Agora continuo a não entender mas alguma coisa dentro de mim dói...e nunca mais passa...
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
26-07-2014 _All Messed Up IV
Gostava de encontrar alguém que lesse as minhas palavras e as compreendesse a 100%. Se identificasse com elas. Cada palavra. Cada expressão. Cada vírgula ou ponto. Sentisse o que eu sentira no momento em que as escrevera, como se me lesse a mim ao lê-las. Alguém que não se importasse de tentar entender-me. Que devorasse cada sílaba, mesmo que fosse amarga, mesmo que houvessem 1000 páginas cheias delas. E que no final de tudo ele e eu pudéssemos ir em busca das respostas para os nossos devaneios, pois seriam os mesmos. E juntos tudo seria muito mais fácil.
Mas haverá alguém assim? Tão louco quanto eu...?
E o que se poderia esperar de uma união assim?
Mas haverá alguém assim? Tão louco quanto eu...?
E o que se poderia esperar de uma união assim?
26-07-2014 _All Messed Up III
Não era fácil mas tinha de admitir que em parte as coisas que o meu pai dizia ainda tinham alguma ponta onde se lhes pegasse. Há catalisadores que os fazem agir como se houvessem sentimentos quando na verdade tudo não passa de luxúria crua. O desejo de possuir algo que não temos. (Na verdade isso acontece com tudo na nossa vida...mas enfim.)
O que eu tinha sentido na noite anterior nada se tinha assemelhado ao que sentira com "ele". Talvez nem tivesse sido apenas do álcool. A euforia, o ambiente, as pessoas, tudo se conjugava num clima em que muita pouca coisa era proibida. (E eu mentiria se dissesse que no momento não tinha gostado.)
O que seria deste mundo sem regras e sociedade? Sempre me pareceram coisas falsas, prisões de mentiras com propósitos ocultos. Outrora tinha abominado essas realidades. Agora já me pareciam mais necessárias.
A derradeira escolha entre um mundo falso e um mundo selvagem. Este último pode parecer muito tentador e libertador mas não me parecia que eu conseguisse durar nele de modo permanente. Não era forte o suficiente, e só esses é que sobrevivem. Eu só podia tentar ser inteligente e astuta (coisa que às vezes não parecia mesmo nada) para poder viver no mundo que me restava.
Mas seria possível existir meio termo? -foi o que me perguntei na altura mas apercebi-me de que é lá que todos nós estamos.
O que eu tinha sentido na noite anterior nada se tinha assemelhado ao que sentira com "ele". Talvez nem tivesse sido apenas do álcool. A euforia, o ambiente, as pessoas, tudo se conjugava num clima em que muita pouca coisa era proibida. (E eu mentiria se dissesse que no momento não tinha gostado.)
O que seria deste mundo sem regras e sociedade? Sempre me pareceram coisas falsas, prisões de mentiras com propósitos ocultos. Outrora tinha abominado essas realidades. Agora já me pareciam mais necessárias.
A derradeira escolha entre um mundo falso e um mundo selvagem. Este último pode parecer muito tentador e libertador mas não me parecia que eu conseguisse durar nele de modo permanente. Não era forte o suficiente, e só esses é que sobrevivem. Eu só podia tentar ser inteligente e astuta (coisa que às vezes não parecia mesmo nada) para poder viver no mundo que me restava.
Mas seria possível existir meio termo? -foi o que me perguntei na altura mas apercebi-me de que é lá que todos nós estamos.
26-07-2014 _All Messed Up II
A este ponto já não sabia de nada. Só que o que estava feito estava feito. Não podia esquecer, teria de aprender a viver com isso, lidar com a omissão, tentar ver o lado positivo e esperar para ver o resultado das coisas. (Ao menos estava a chegar a algumas conclusões ainda no mesmo dia...)
Não tinha sido eu que sempre dissera a mim mesma que não teria relações "sérias" e que não existiam amor ou sentimentos duradouros? Pois, não sabia se amor seria bem o termo certo a utilizar mas ao menos os eventos anteriores tinham-me feito perceber o quanto ele significava para mim. que não seria capaz de o perder ou magoar propositadamente.
Agora já sabia o meu limite, só faltava saber cumpri-lo.
Não tinha sido eu que sempre dissera a mim mesma que não teria relações "sérias" e que não existiam amor ou sentimentos duradouros? Pois, não sabia se amor seria bem o termo certo a utilizar mas ao menos os eventos anteriores tinham-me feito perceber o quanto ele significava para mim. que não seria capaz de o perder ou magoar propositadamente.
Agora já sabia o meu limite, só faltava saber cumpri-lo.
26-07-2014 _All Messed Up I
Eu tinha gostado da sensação. A liberdade de dançar e de não me preocupar com o que pudessem pensar de mim. Senti-me bem.
Mas a mesma dose que me tinha concedido essa sensação tinha-me simultaneamente bloqueado todo o bom senso. Perdera a razão e agora com tudo ainda fresco na memória sentia-me como lixo. O que não era das melhores transições...
Não só porque estava cansada ,e capaz de dormir por mais dois dias, mas porque não tinha tido respeito por mim, ou sequer pensado no peso das minhas decisões e atos.
Uma bebida. Um beijo. Um segundo. E tudo podia mudar.
Só queria ser capaz de esquecer.
Mas a mesma dose que me tinha concedido essa sensação tinha-me simultaneamente bloqueado todo o bom senso. Perdera a razão e agora com tudo ainda fresco na memória sentia-me como lixo. O que não era das melhores transições...
Não só porque estava cansada ,e capaz de dormir por mais dois dias, mas porque não tinha tido respeito por mim, ou sequer pensado no peso das minhas decisões e atos.
Uma bebida. Um beijo. Um segundo. E tudo podia mudar.
Só queria ser capaz de esquecer.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Done With Trying
Estão a ver quando ficam muito contentes por algo ou quando estão chateados por algo, basicamente quando têm sentimentos... Normalmente as pessoas têm alguém que saiba o que se passa com elas, por vezes é a família, ou os amigos ou assim...costuma existir uma pessoa que diz "vá eu sei que estás chateada com alguma coisa" ou então "vá eu sei que gostaste daquilo", há aquela pessoa que sabe, que te conhece...e às vezes eu fico mesmo irritada porque às vezes mesmo sendo bastante óbvia eu não consigo que as pessoas me entendam... nem eu me entendo...e isso só me chateia mais, porque talvez eu esteja só a ser dramática ou mimada demais...sei lá...isto chateia-me...
Acho que me incomoda o facto de eu precisar das pessoas pra alguma coisa (do tipo, porque é que eu sozinha não basto?).
Porque é que eu tenho esta necessidade estúpida de precisar que me compreendam se eu nem sei explicar, se eu nem sei dizer como me sinto como é que os outros vão perceber? Mas mesmo sabendo isso eu continuo a não querer explicar-me, eu continuo a querer que as pessoas simplesmente saibam...
E quando pela primeira vez eu tomo a iniciativa e explico, exatamente por estas palavras, o que sinto, dizem-me que é uma fase má. Dizem-me que isto passa. Que isto não sou eu. Que eu sou uma pessoa alegre e que isto sou só eu a ser chatinha. E se eu digo que isto sou o que eu realmente sou ninguém acredita. E a culpa é minha...
Não que eu queira viver deprimida a minha vida toda. Mas eu quero que haja alguém que entenda, que aceite, que goste, sei lá...ame até esta parte de mim. Que não a considere chata. Que a considere uma faceta. Uma particularidade. Uma falha. Mas ainda assim uma parte de mim. Mas esse alguém não existe. Nunca terei aquela pessoa que simplesmente sabe.
Acho que me incomoda o facto de eu precisar das pessoas pra alguma coisa (do tipo, porque é que eu sozinha não basto?).
Porque é que eu tenho esta necessidade estúpida de precisar que me compreendam se eu nem sei explicar, se eu nem sei dizer como me sinto como é que os outros vão perceber? Mas mesmo sabendo isso eu continuo a não querer explicar-me, eu continuo a querer que as pessoas simplesmente saibam...
E quando pela primeira vez eu tomo a iniciativa e explico, exatamente por estas palavras, o que sinto, dizem-me que é uma fase má. Dizem-me que isto passa. Que isto não sou eu. Que eu sou uma pessoa alegre e que isto sou só eu a ser chatinha. E se eu digo que isto sou o que eu realmente sou ninguém acredita. E a culpa é minha...
Não que eu queira viver deprimida a minha vida toda. Mas eu quero que haja alguém que entenda, que aceite, que goste, sei lá...ame até esta parte de mim. Que não a considere chata. Que a considere uma faceta. Uma particularidade. Uma falha. Mas ainda assim uma parte de mim. Mas esse alguém não existe. Nunca terei aquela pessoa que simplesmente sabe.
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