quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Some words

Esta noite sonhei contigo
Pela primeira vez em muito tempo senti que a solidão me libertou
Ficaste ao meu lado
Disseste-me o que precisava
Sussurrando ao meu ouvido
O que só a nós nos interessava
Seguraste a minha mão
Ouviste todas as minhas queixas
Nem por uma vez te incomodou
Não fui um fardo
Compreendeste cada explosão de emoções
Cada riso histérico,  lágrimas de raiva e discurso sem nexo
Deitados no chão duro numa garagem escondidos do mundo
Foste o meu segredo
Mas a noite tem um fim
E com ela também tu tinhas de desaparecer
Porque não és real
E acordei como adormeci,  sozinha,  sem ti

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Thoughts <3 <3 <3 Part 3

"Sim,  eu fiz isso,  tu perdeste isso tudo,  abdicaste daquilo, mas o bem foi para quem?  Foi graças a isso (graças a mim e ao que te obriguei a fazer,  ao NOSSO sacrifício)  que conseguiste chegar aí. " Aí,  onde é isso?  É um sítio bom? Sei que tinhas boas intenções e que pensas que estou no caminho para ser tudo o que sempre quis e de certa forma tens razão,  porque nunca tive sonhos meus,  tudo o que sempre quis foi agradar-te, encher-te de orgulho,  mas daí obtive somente breves momentos de felicidade, nem sequer sei quem sou,  como hei-de saber o que quero ou o que fazer para lá chegar.

Thoughts <3 <3 Part 2

A próxima vez que derem por vocês a fazer algo sem entusiasmo ou simplesmente a contar o tempo ou a enumerar o que falta perguntem-se se foi inteiramente por vossa escolha. Eu podia muito bem dizer a verdade,  mas nunca seria vista com bons olhos. Odeio quando me perguntam se gosto do que estou a fazer, ainda mais quando me exigem que o prove, e ainda mais quando acham que não foi o suficiente,  que não fui convincente. A vida não tem um livro de como a fazer,  passo a passo,  mas há pessoas que acham que sabem como a devemos viver,  cometi o erro de me guiar por elas,  muito do que faço é pelo simples facto de as querer agradar,  quando me farto e não o faço acusam-me de estar a mudar,  de estar a ser diferente do que costumava ser,  é engraçado porque acho que nem sei quem sou,  como é que elas podem saber....

Thoughts <3 Part 1

A vida não é uma sucessão apenas de vitórias nem de batalhas que eventualmente com esforço acabamos por vencer.
E se eu quiser perder?  Simplesmente desistir. Será assim tão errado?  Fará de mim menos pessoa que todos os outros?
Porquê tantas regras?  Às vezes parece que exiges que seja como tu, faça como farias no meu lugar,  sinta como tu, e,  mais importante,  que sendo como tu não cometa os mesmos erros?  É sequer possível? 
Ainda há muito pouco tempo acreditava estar amaldiçoada com a incapacidade de não saber amar, mas pergunto-me se algum de nós sabe verdadeiramente o que é o amor, começo a acreditar que não seja eu que não sei amar,  simplesmente não sei ser amada,  às vezes sinto que não me amas e tu chamas-me de ingrata e de vítima,  mas a verdade é essa,  sinto que não me amas como a amas a ela,  talvez seja porque ela é como tu,  revês-te nela e por isso o carinho que lhe tens é diferente,  não significa necessariamente que não me ames mas eu tive e tenho tentado aprender o que significa e o conceito que tenho é tão perfeito e inatingível que isso me impeça de ver que o que fazes e o que dizes é simplesmente o teu próprio conceito,  amas à tua maneira e isso cria este nosso conflito.
Mas mais uma vez porque criamos esta enorme teia,  complicamos tudo quando devia ser simples,  será a nossa forma de dar algum significado ao tempo que temos enquanto vivemos,  criar drama e desejar o impossível.
Até a forma como nos relacionamos com os outros,  não podes ser demasiado simpático porque depois vão querer aproveitar -se de ti,  mas não sejas demasiado rude,  parece impossível encontrar um meio termo,  e todos os fazem ou pelo menos a grande maioria, não podíamos apenas ser quem somos com toda a gente,  sem mentiras, sem joguinhos,  sem tentar impressionar,  simplesmente nós.

sábado, 4 de abril de 2015

My Life in Chains

É difícil ter de voltar àquele lugar, para estar com aquelas pessoas, ter aquela rotina. Talvez a rotina nem me soubesse tão mal se fosse aqui, junto de quem me sinto confortável. Não sei, talvez me tenha tornado mais fechada, mais fraca com o passar dos anos em que tudo o que fiz para me defender do que me acontecia foi enfiar-me dentro de mim. Eu só não aguento ter de lidar com tudo isto sozinho, isto sendo uma cidade que não quero conhecer e um monte de pessoas mesquinhas que me fazem sentir como se eu não valesse nada.
Pensava que seria uma etapa totalmente diferente. Não chegavam apenas 17 anos a "marrar" nos livros noites a fio...Tinham de vir mais 4 anos. Não chega já? Eu quero fazer algo com ação, quero mexer-me, não quero estar parada atrás de uma secretária a olhar para um livro. Para isso tinha-me tornado escritora e estaria a escrever o meu próprio... Eu quero ser capaz. Quero-o tanto. Mas de cada vez que me aplico mesmo parece que me sinto a perder-me, a perder a minha sanidade, perder as minhas réstias de emoções e capacidades para criar novos laços tal como manter os que consegui criar até agora. Ao pensar que vou para lá até me sinto doente. Isto não deveria ser assim. EU não deveria ser assim. Será que estou a ir pelo caminho errado? Mas eu não sei mais por onde ir? Será assim tão errado que esta seja a minha razão? Eu nunca soube outra coisa que não o dever para com a minha família. E agora já os tenho a contar os anos que faltam, ainda que eu esteja no início... E já me sinto consumida por inteiro... Sinto que sou outra pessoa, uma pessoa que não encaixa aqui, não a quero aqui... Não a odeio por completo mas é diferente...é incompatível...
Às vezes quero desistir...mas não posso. E vou dizendo isso a mim própria, que há mais em jogo, que é apenas uma fase, que depois tudo ficará bem e poderei olhar para trás e constatar que afinal não foi assim tão mau. Mas e se for mais uma coisa que estou a acumular? Ou se simplesmente não for capaz...se não estiver à altura? Estou farta...Eu quero ser alguém...Quero sentir que sou alguém... Quero acabar com isto...Porque é que tenho de me sentir como se não valesse nada? Como se tivesse condicionada por qualquer caminho que escolha seguir...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

I've never been this lonely

Encontro-me de momento a começar o meu segundo semestre de enfermagem numa universidade que me mantêm afastada de casa 5 dias por semana. Comecei mesmo ainda hoje e a vontade de ter de começar a estudar e voltar ao ritmo de estudante é inexistente.
Pensei que assim que estivesse sossegada e sobrecarregada com coisas que isso me levasse a esforçar e a esquecer o resto mas enganei-me...
Eu sempre fui habituada a estar sozinha, gosto de estar sozinha. A primeira coisa que desejei quando vinha no caminho de regresso para cá foi que a casa estivesse vazia, porque não me apetecia mesmo nada ter de lidar com as minhas colegas de casa- A cena é que elas são simpáticas e tal, falamos de vez em quando mas não é caso pra dizer que somos amigas, até me sinto bastante excluída a maior parte do tempo porque apesar de sermos 7, um nº bem grande, eu não encontro nada em comum que me faça estabelecer uma amizade com elas, ainda só as conheço há coisa de 6 meses mas ainda assim...nunca tive muitos amigos mas não me recordo de ser assim tão difícil...Tenho a sensação de que sou eu, às vezes, que me tornei mais crítica e que afasto as pessoas, mas na verdade sou bastante acessível, mesmo num dia mau se alguém se dirigir a mim não tenho confianças suficientes pra lhes fazer má cara, no entanto tanto os meus colegas de turma como as de casa parecem estar num grupo à parte em que não me integro. E eu nem quero isso, o que eu queria era poder partilhar o facto de estar aqui com quem realmente gosto mas todos os meus amigos estão ainda no secundário e a minha família não ia mudar-se para esta cidade só porque eu cá estou a estudar. Pelo que ya...estou bastante sozinha e se isso me está a afetar agora então não sei como vou aguentar 4 anos assim... Sinto-me uma fraca. Se ouvisse alguém a dizer que não se sentia capaz de terminar o curso porque se sentia sozinho seria isso que pensaria, que era fraco. Mas será possível não partilhar nada em comum com ninguém? Será mesmo este o meu lugar? Eu sei lá...será que vai ser sempre assim, vou trabalhar para um hospital e não vou ter ninguém com quem falar? É uma merda... E não há quem entenda... Tenho a certeza de que muita gente que deixei para trás na minha cidade pensa que estou aqui na loucura, na vida de festa que é a universidade, a sair todas as noites, a conviver... Já tentei explicar que não é nada disso, mas quanto mais nego mais as pessoas creem nisso. E eu nem sou pessoa de sair, ou de conviver quando não conheço bem as pessoas ou a cidade, então isso ainda me afasta mais do resto das pessoas daqui. Nem sequer consigo fingir que está tudo bem enfiando-me na cama a ver séries porque assim sentiria-me culpada então basicamente após um dia de aulas e a almoçar/jantar sozinha ponho-me a estudar junto a um aquecedor (que imagem mais deprimente) cheia de vontade de falar com alguém. Mas não há com quem falar...
No início até pensei ter feito o que poderia ser o início de uma amizade mas as raparigas envolvidas acabaram por se revelar umas manientas....praticamente é isso que constitui a minha turma: manientas, falsinhas e convencidos. Não estou a dizer que eu seja muito melhor mas não consigo lidar com pessoas assim. Tenho tantas saudades do secundário...de ter com quem estar nos intervalos, com quem falar nas aulas, ter uma casa onde regressar, ter a minha família...Estou bastante farta disto...E pelo que dizem a pressão e exigência só vai aumentar...Eu quero aguentar...quero ultrapassar isto, quero ser capaz...

sábado, 4 de outubro de 2014

Suffering from one Social Construction

De tantas pessoas foi ela que me veio à cabeça quando tentei lembrar-me de alguém que eu soubesse que podia compreender o que eu estava a passar. Na altura em que a mãe dela a deixou, sozinha e desamparada para se desembaraçar sozinha como uma "adulta", para ir para outro país qualquer um poderia associar esse facto a sorte, liberdade e uma oportunidade para viver como ela bem quisesse. No entanto não era assim que ela pensava, nem de perto. Podia ser isso que ela deixava transparecer e se lhe perguntassem ela de certo concordaria. Agora tem piada, lembro-me de como ela estava, dizendo uma coisa mas o rosto dizendo outra, e de eu ter pena pensando que ela estava pior que eu, que a única pessoa que ela realmente tinha do lado dela era a mãe e que agora nem isso tinha. Mas eu nunca tive mais que isso. Dou-me agora conta que por muito que eu quisesse estar em paz, e me sentisse realmente sozinha mesmo quando estava em casa eu nem sabia o que era isso até agora. Fogo...e ainda só se passaram três semanas, ainda nem tive testes nem houve nada de muito "espetacular" a acontecer, o que por um lado faz parecer que eu estou a exagerar. Mas pelo outro só penso que ir para a universidade não é sinónimo de independência, quer dizer, obviamente temos de tê-la, tal como sempre, talvez até ainda mais mas há pessoas que vão para casa e voltam todos os dias e outras que nem mudam nada os seus hábitos de vida já que a casa é logo ao virar da esquina. Logo...quando é a altura certa para deixar a nossa casa? Eu nunca me senti muito ligada a estas quatro paredes, sempre achei que se um dia fosse sentir-me saudosa seria do sítio onde fui mais feliz, mas não há como alterar o facto de que parte do que sou foi aqui que aconteceu, é aqui que estão todos os que conheço e por muito que às vezes os odeie e não queira nada com eles sinto a sua falta... São tudo o que eu conheço... Talvez isso só faça parte do processo de me habituar... Muito provavelmente nem são sentimentos verdadeiros, não é amor ou amizade que está a guiar os meus medos mas é apenas um medo em concreto...o de não ser capaz de continuar em frente sozinha. Muitas vezes disse que não precisava das pessoas, só essa ideia me dava logo raiva, não queria nunca precisar... Com o tempo vim a controlar as coisas de modo a fazer com que as pessoas precisassem de mim, e consegui. De facto o impacto inicial foi logo o de choros e depressões quando me fui. Mas é como quando alguém morre, aprendemos a lidar com isso e muito lentamente conseguimos tornar essa pessoa numa memória menos dolorosa. Um dia serei capaz de fazer isso...mas até lá estou assim. A ser esquecida. A ser tornada numa memória. Olho para a minha irmã e vejo que as suas perninhas sempre tão escanzeladas e fininhas que nem as de um alicate agora já se começam a tornar nas que um dia vão ser as pernas de uma adolescente com curvas, que o seu comportamento vai-se modificando, vai-se tornando mais calma, mais crescida. As pessoas mudam. As pessoas crescem. Eu nunca pedi isso. Nunca tive escolha. Ninguém tem. Mas eu não vou estar sempre aqui para vê-la. De cada vez que aparecer ela estará diferente, e é assim que deve ser. Mas também me pergunto porque é que esta ideia me custa tanto. Será por ela ser minha irmã? Por ser a menina chata que tenho vindo a acompanhar desde que nasceu. Por ser a minha menina pequenina... Por ela um dia vir a ser uma menina maior como eu que não vai compreender que a amo muito apesar de às vezes não a suportar... Oh meu deus quando é que isto volta a ser fácil? Talvez nunca... Eu só queria poder voltar àquele estado de total ignorância em que a minha felicidade se baseava em brincar...contentava-me com tudo porque pura e simplesmente não entendia...Agora continuo a não entender mas alguma coisa dentro de mim dói...e nunca mais passa...