quarta-feira, 7 de setembro de 2016

To new beginnings

Esta carta dirige-se aos meus familiares e a razão pela qual é anónima creio que não seja necessário explicar dado que nesta família não se podem confiar segredos nem às paredes, esconde-se tudo de todos e ninguém é capaz de tirar a máscara, aparentemente nem mesmo eu.
Não me dirijo a ninguém em particular, mas a todos, somos farinha do mesmo saco, talvez sejamos apenas iguais a toda a gente mas querendo acreditar que há de facto algo forte que nos liga quero ver isso como um traço do nosso caráter, embora não seja dos melhores traços que se desejem...
Acredito que algumas, poucas pessoas saibam quem sou, mas isso não interessa agora, por alguma razão não assinei a carta.
Quero que olhem para vós próprios e me digam se são realmente felizes com a vossa situação atual. Não somos unidos, não somos como uma família, ou pelo menos a que gostaria que fôssemos, não nos conhecemos, o que sabemos uns dos outros? Apenas o que se segreda de ouvido em ouvido... Coisa que às vezes caio no erro de fazer. Às tantas já nem sei no que acredito, se o melhor é ir com a maré ou se hei-de fugir das ondas porque aparentemente ir contra não é opção viável. Tentei, só me destruí mais...Só me senti isolada. Afinal o ser humano é um ser social e necessita de se sentir em comunidade, e por muito que aprecie a minha solidão, acredito que essa seja a verdade, posso abdicar de muito devido ao feitio que tenho mas da família não consigo...
Por vezes é triste quando vejo outros a gabarem o quanto são parecidos com os pais/avós/primos/etc, colocando fotos embaraçosas pelas redes sociais, "Idiotas" - penso - "Não têm mais nada para fazer...", no entanto no fundo roo-me de inveja, quem me dera ser um daqueles idiotas, quem me dera que alguém estivesse aqui no meu lugar a ser frio e solitário e eu estivesse ali, a fazer figuras, a ser feliz.
Talvez nós todos estejamos acima...Penso isso de mim por vezes, sabem, muito tristemente na minha miséria acredito fielmente que me sinto assim apenas porque não me deixo envolver no mundo de ilusões que todo o resto do mundo acredita. Amor. Amizade. Lealdade. Bondade. E coisas do género...tudo palavras inventadas para descrever ilusões, para esconder a nossa verdadeira natureza, certo? Ou não... Não sei, mas sinto isso às vezes. Muitas vezes me sinto isolada, e acredito ter pensamentos que poucas pessoas têm, não que seja mais inteligente, apenas que seja mais danificada, como se algo de errado se passasse comigo... Nos últimos tempos não tenho conseguido ser tão bem sucedida em esconder-me, em conter-me, tendo tido algumas explosões indesejadas (como ficou bem claro) e por um lado se foi um alívio de certo modo libertar-me um pouco por outro lado mais desapontada fiquei por ver o quão importante era que permanecesse com os meus pensamentos para mim própria para não "magoar os sentimentos de algumas pessoas", isto vindo das duas maiores mártires que já conheci, foi como se me pedissem a mim que fizesse parte da sua "Associação" (que aparentemente só deve ter indivíduos do sexo feminino) - porque, o que é sem dúvida regra nesta família é que por muito que se evolua apenas as mulheres se devem sacrificar pelo bem da humanidade... Mas continuando, esse pedido meio que implícito no meu silêncio, entre outras coisas, magoou muito, pois quem me amasse ou quisesse bem não mo pediria, mas também quem o fez já entranhou que estou destinada a um igual destino, a servir homens para a minha vida, como se ela dependesse disso... Pois estou determinada a não vos dar esse gostinho, não farei parte dessa associação. - E é por frases como esta que dizem que preciso de ser internada, pois tento manter-me fiel de que todos nesta família ganhariam com um tempinho internados numa ala psiquiátrica, a solução simples seria por fim serem capazes de colocar as cartas na mesa e dizerem o que sentem quando sentem, ao menos entre família, mas não, e para quê? O que ganham com o silêncio? Uma família colada com pastilha elástica? Com tempo nada durará... pois eu espero que não sejamos pessoas danificadas o suficiente e consigamos encontrar felicidade noutro lado, não sei, talvez seja só eu com estes sentimentos, e nesse caso peço perdão, mas sinceramente, serei mesmo só eu? E se sim como é que aguentam? Com tantos segredos, interesses, palavras que ficam por dizer, sacrifícios... Pois eu acredito que seja possível existirem pessoas que sejam verdadeiramente unidas, que consigam ultrapassar os seus problemas e falar abertamente sobre eles e não jogá-los para debaixo do tapete...
De momento estou numa fase de indiferença meio aceitação...Contenho o máximo possível e seleciono as palavras com cuidado quando decido fazer algum comentário, mas é impossível não me sentir excluída, como se os meus sentimentos não interessassem, algum de vocês pensa assim? Alguma vez vos terei feito sentir o mesmo? Talvez, bem provável que tenha... E sim, às vezes desculpo-me que foi assim que fui criada e por isso mesmo caio no erro de fazer igual, talvez seja assim para todos, mas alguma vez tentaram fazer algo ou dizer algo? Alguma vez tentaram enfrentar a situação de frente? Porque eu posso dizer que já o fiz, mais do que uma vez, e foi preciso coragem porque as duas pessoas que mais amo e que preciso neste mundo se colocaram contra mim, me fizeram sentir que estivesse maluca, me fizeram sentir que estava sozinha...E só por isso aceitei entrar de novo nesta fase, neste silêncio, porque talvez por enquanto prefira uma família com pastilha elástica do que nenhuma... Mas preciso de continuar a escrever, porque senão posso cair no erro de persistir com isto...E eu sei que o facto de não aceitar me irá causar oscilações com a fase da depressão em que não aguento esta farça, e depois irei gritar e chorar e sentir-me abandonada de novo, mas talvez precise disso, preciso de não aceitar...gostava de conseguir fazer a diferença para vocês mas uma vez que esta mensagem vai ficar por aqui, escondida debaixo do meu tapete porque a associação assim o ordena creio que esse desejo seja impossível... Espero crescer, e encontrar um eu feliz num futuro próximo, gostava que fosse entre vocês...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Abstrato

Estou indecisa. Outra vez. Será que alguma vez não estive? Alguém terá certezas de alguma coisa...Só filosofias, alguém deve ter escrito já um milhão de coisas sobre o assunto. Indecisões. Escolhas. Crescer. Viver, pura e simplesmente. Só a simples ação de viver acarreta uma escolha, uma que fazemos todos os dias, escolher continuar, ver o que dá.
Entre muitas tenho a indecisão de visitar a família ou ficar em casa, estudar no verão ou aproveitar para fazer tudo o que quero e não tenho tempo noutras circunstâncias, trabalhar ou somente gastar dinheiro, amar uma pessoa ou deixá-la ir, chorar ou fazer-me forte, ser querida ou já nem sequer tentar, fazer ou não fazer... Sinto-me sozinha. Ninguém compreende o caos que é a minha mente, e é normal, nem eu compreendo, nem eu sei o que quero. Mas seria demais pedir? Eu não sei bem o que quero mas quero algo, quero que a vida me dê isso, me surpreenda, quero mais do que isto, quero um romance, quero aventura, quero sentir... Quero ser arrebatada, amar muito, até doer... Quero alguém com história, com uma vida para me contar, que queira saber a minha também... Só estou para aqui a dizer treta mas sei lá, a treta que me vai na mente não pode ficar sempre aprisionada, e a algum momento tem de sair, de ser partilhada, e enquanto não tenho alguém com quem a partilhar será aqui, pela escrita, para ninguém.
Estou triste, embora já esteja em casa, voltei à minha vida, era o que queria, sonhei com ela, sonhei com as pessoas que costumavam fazer parte dela, regressei para me estatelar com a realidade, as coisas mudam, e a vida como a conhecia mudou, as pessoas foram-se embora, cada uma para o sei lado, outras ficaram, algumas que eu queria que fossem. A vida para a qual regressei já não é o suficiente, pareço uma bola de pingue pongue, de um lado para o outro, ora em casa ora na uni, não passo o tempo suficiente num lado ou outro para que me sufoque, só o suficiente para valorizar o que não tenho de momento, se estou lá desejo estar aqui e se estou aqui só penso "O que faço eu aqui?", já não chega. O estado deprimente em que me sinto prova isso. Já não chega. Podia ficar aqui sentada, ou deitada na cama, com comida feita e praticamente sem preocupações (se as ignorasse), mas o que ganharia com isso? Não consigo ser essa pessoa. Nem sei que pessoa sou mas sou alguém que quer mais.
Sonho com o campo, com plantas, música de fundo e amor...Desejo algo abstrato, sonho com o abstrato, e talvez seja melhor assim. Não sei já onde foi que li mas há coisas que são melhores se permanecidas no abstrato.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Forget about me

Às vezes,  como a tantas pessoas,  ocorre-me o pensamento de que era mais feliz antes. Mas lembrei-me de que mesmo em criança desejei em várias ocasiões que a minha tristeza me fizesse dano,  me fizesse doente,  porque talvez assim abrissem os olhos para ver que eu estava ali e que o que faziam me afetava... E isso não é normal,  não devia ser normal para uma criança desejar tal coisa. Não devia ser normal acreditar que apenas doente me dariam atenção...
Outra coisa é eu não entender os meus próprios sentimentos,  por um lado afeta-me magoar os outros por não demonstrar sentimentos por eles,  embora me tenham magoado do mesmo modo dantes, talvez por isso mesmo me afete mais,  mas por outro acho que o merecem e não tenho qualquer vontade ou forças para mudar. Não sei,  já só estou a disperçar ideias para aqui numa espécie de desabafo. É difícil lidar com tanto ao mesmo tempo. Ainda mais porque estou sozinha e tenho consciência de que sempre estive e custa mesmo tanto quando me obrigam a olhar nos olhos enquanto me dizem que posso confiar neles quando precisar quando passei estes anos todos a iludir-me disso mesmo e sei que não é verdade mas ainda assim tenho de acenar e forçar um sorriso enquanto digo que sim. O que querem de mim? Talvez me vejam indiferente e não lhes chegue,  querem levar-me ao fundo... mas eu já lá estou,  não consigo ir mais,  não consigo dar mais. Só quero que me deixem em paz... Passei uma vida a tentar que olhassem para mim e me vissem a crescer,  e agora só quero poder crescer silenciosamente,  mas não me deixam.... Esqueçam-me... Não peço muito,  só que me esqueçam.

Just humans

Somos todos apenas humanos, e a nossa mera existência não tem nada de simples. Eu tenho tentado perdoar todos os erros que cometeram comigo,  porque no fundo sei que não foram bem intencionais,  sei que no fundo todos somos vítimas da nossa própria existência. Mas às vezes penso que eu no lugar deles teria sido melhor.
E detesto,  odeio mesmo o facto de me terem afastado a este ponto,  nunca me ouviram,  nunca quiseram saber de mim,  do que gostava,  de como era,  quais os meus interesses e sonhos e agora vêm acusar-me de ser distante,  de não contar nada,  acusam-me de não gostar deles e de os privar da minha vida. O QUÊ?! eu nem tenho forças para sequer negar,  digo sim a tudo até perceber que ainda é mais cansativo porque tenho de enfrentar os seus olhares a julgar-me. A sério,  dão-me vontade de desaparecer. Quem me dera desaparecer...

sábado, 24 de outubro de 2015

Never whole

Pergunto-me porque terei de falar mais baixo,  como se houvesse o receio de que ele ouvisse. E se ouvisse?  É alguma mentira?  O que há a recear?  Só estou a expôr ao alto o que ele me fez,  e não só ele... Se há algo que ele,  e não eu, devesse sentir era arrependimento. Eu não tenho de ter medo da verdade,  nem do quanto ela magoa,  porque decerto não há-de magoar tanto como ele a mim. E ainda magoa,  mesmo não fazendo nada,  porque o que havia a fazer já está feito e não vejo quaisquer tentativas de melhorar isso. E não consigo compreender porque o defendes nem o porquê de todos fecharem os olhos ao que ele me fez,  ao que ele nos fez, parece que somos umas mártires e que o nosso dever é sofrer e depois fingir esquecer só para não magoar os meninos.... Pois esse não é o meu modo de pensar. E eu?  O que é suposto eu fazer com isto que sou eu?  Isto que sobrou do que eu era... Imagino o que eu poderia vir a ser. Algo melhor que isto. É muito frustrante chegar ao final de alguns dias e aperceber-me de que nunca irei ser inteira,  que sempre me faltará algo,  que sempre vou me recordar disto,  e de que tu e tantas outras pessoas pensam que eu devia simplesmente ser como vocês e seguir em frente. Mas foi isso mesmo que fizeram?  Seguiste mesmo?  Consegues chegar ao final do dia e sentir que o passado não te influencia mesmo?  Que estás livre do que passou?  Então diz-me porque não consegues ser feliz?  Então não me dês lições,  nem me digas que me armo em vítima. Eu fui vítima, porque tu também o foste e deixaste que eu fosse,  porque ele decidiu que o devíamos ser. E se achas que isso não me molda como pessoa então enganaste. Diz que eu sou igual a ele,  pois apesar disso ser o que mais receio acabo por achar que é verdade em muitos aspetos, e sabes como sei isso?  Porque cheguei à conclusão que já nem me importo de ser. Só me importa o facto de não conseguir seguir em frente,  de não conseguir falar abertamente com ele,  porque implantaram em mim este receio de que se o fizer então tudo se desmoronará. Mas desmonará para quem? Para ele?  Irá ele finalmente aperceber-se do que fez?  Não percebeu ainda?  Que faz igual a quem o magoou?  Desmonará para ti?  Porque terás de amparar a queda dele?  Eu tive de te ajudar a amparar a queda durante todos estes anos,  mesmo pequena... E não é o teu dever amparar a queda dele... Desmonará para mim?  Porquê?  É isso que receias? Sinceramente?  Se há algo que vou sentir quando finalmente falar tudo o que tenho para lhe dizer é livre.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

11 Girl

Sabem aqueles filmes que possivelmente as vossas mães vos obrigam a ver porque o vosso pai não se interessa por romancezinhos?  Aqueles que sabemos já o final ainda antes de começar mas que não impede a vossa mãe de chorar quando a X atira o secador de cabelo ao Y e jura para nunca mais o ver e que vai casar com o Z. Se sim,  lembram-se da cena em que o rapaz vê a rapariga e uma musiquinha toda soft começa a tocar de fundo?  É das coisas menos realistas,  já que a vida real não tem banda sonora, ou pensava eu.
Ia eu a descer no elevador com o vizinho do 14 andar quando a rapariga do 11 entrou. Eu já a tinha visto antes. Usava uns grandes óculos quadrados que numa outra época a fariam parecer uma geek mas que agora aparentemente estavam na moda,  e não sei se era isso ou se lhe ficavam mesmo bem com aquele cabelo liso cortado todo direito e a roçar-lhe pelos ombros. Calças e casaco de ganga clara e umas pernas muito fininhas. Eu era um grande apreciador de curvas mas ela tinha sem dúvida um corpo bonito. Bom,  nisto de estar a olhar para ela meio indiscretamente lembrei-me de que ainda tinha o telemóvel na mão -costumava ir a ouvir música no caminho a pé para a universidade - coloquei-o no bolso de trás das calças e sem querer apertei o botão e "Sex after cigarettes - Nothing is going to hurt you baby " começou a tocar. Eu já estava de auscultadores nos ouvidos e agora não ia tirar o telemóvel do bolso pelo que a deixei a tocar.
Saímos os dois no rés do chão,  ela foi à frente,  abrindo todas as portas e segurando-as para mim,  eu ia segurando para evitar parecer parvo o facto de termos os papéis meio invertidos (chamem-me antiquado) . Na última porta, ia já eu no refrão, ela segurou-a e fitou-me por apenas uns segundos,  fiquei ali a olhar para ela, através das enormes lentes, o cabelo os olhos,  as bochechas rosadas na pele pálida , quando me apercebi que me tinha esquecido de segurar a porta o que fiz logo de forma estupidamente atabalhoada, o que a fez sorrir,  fitando o chão e apertando o monte de livros contra o peito.
Aquela música atraiçoou-me.

sábado, 26 de setembro de 2015

Nicotine

Get addicted
Thought i used to criticize
But in order to get rid
off the pain that i
Feel while growing
In my bones,  i want
Smaller ones to replace the old ones

You're so cool when
You take it off like that
Feeling the room with your breath
Can I have some of that
Your kiss taste is like
Some kind of drug
My mom told me I shoulnd't take
But I'll die anyway

Be my tough day lover
My suicide partner
Point the gun and make me beg
To feel what they call of little death
Write my demons
Names on the side
I'm out of reasons
To keep on this fight